Criei este espaço com o objectivo de reflectir sobre as actividades que se desenvolveram na Unidade Curricular. Pretende-se que haja uma instrospecção acerca das aprendizagens e competências que foram mobilizadas. No fundo torna-se importante que cada aluno seja capaz de reflectir sobre o seu percurso na disciplina: o que aprendeu, o que despertou curiosidade, as dificuldades sentidas, o que conquistou e, sobretudo, a evolução do seu “eu”. Decidi organizar este espaço apenas por semestre.

1.º Semestre

    Em primeiro lugar, e apesar de todos os contratempos, faço um balanço positivo do trabalho desenvolvido e das aprendizagens alcançadas neste semestre.

    Sem dúvida alguma que SIP IV permitiu-me pensar verdadeiramente no conhecimento e, sobretudo, relacionar aprendizagens. Falo de um conhecimento interdisciplinar, um conhecimento que tem como objectivo agrupar saberes, ultrapassando a divisão entre os vários corpos disciplinares. Outro aspecto, talvez um dos mais importantes, que não posso deixar de mencionar foi o facto de esta Unidade Curricular me ter tornado numa pessoa mais responsável e rigorosa. Obviamente que devemos valorizar as nossas experiências de vida, mas elas não são tudo. Não podemos ou pelo menos não devemos esquecer que o conhecimento científico/teórico é extremamente importante. Podemos ter as nossas ideias é verdade, mas e porque não tentar aprofundar mais os nossos pensamentos? Fundamentá-los? Dar-lhes forma? Partilhá-los? Pessoalmente acho que faz todo o sentido. Pretendo dizer que há determinadas obras que devem fazer parte da nossa biblioteca pessoal. Neste sentido, as fichas de leitura que fiz levaram-me a obter um conhecimento mais profundo sobre algumas temáticas, nomeadamente características da investigação qualitativa e a construção de projectos sociais (fases, duração, intervenientes, avaliação, etc.).

    Desenvolver um projecto de intervenção não é propriamente uma tarefa fácil, aliás é uma tarefa trabalhosa e que exige que cada um dê o seu melhor e se empenhe. O processo de contactar uma instituição, caracterizá-la e escolher o projecto que irá ser desenvolvido nessa instituição é algo que exige persistência da nossa parte. Aprendi que nem tudo está nas nossas mãos, que nem sempre as coisas correm como gostaríamos, que temos de saber lidar com um “não” e, principalmente, que devemos transformar esse “não” num “sim”. Contudo, também aprendi que temos de ser práticos, que há caminhos que há partida não são viáveis, mas acredito que esse sentido prático também se adquire com a experiência. A integração do meu grupo na instituição teve altos e baixos e confesso que houve momentos que me senti bastante desanimada. Todavia, o grupo manteve-se unido e conseguiu lidar com a frustração.

    Sem me querer alongar muito importa falar da construção do Portefólio Digital. Tentei ao máximo não ser meramente descritiva e reflectir um pouco sobre as minhas aprendizagens. A partir do portefólio ficamos com uma noção clara do nosso percurso, até porque é um instrumento que de uma maneira ou de outra nos obriga a pensar nele. Pensarmos nas coisas que fazemos, compreendermos porque tomámos aquela decisão e não outra é importante. Ajuda-nos a crescer enquanto alunos e pessoas que somos.

    Para concluir, sinto que esta disciplina me está a permitir trabalhar um pouco mais o meu sentido crítico. Está, sem dúvida, a “puxar” por mim. Está tornar-me numa aluna mais responsável pelo seu processo de aprendizagem, mais activa hoje e quem sabe proactiva no futuro.

 

2.º Semestre

    Não pensando só neste semestre, mas em todo o trabalho desenvolvido ao longo do ano lectivo, o balanço global que faço da disciplina é bastante positivo. Obviamente que não foi tudo perfeito e tenho noção que há coisas que podiam ter sido feitas de outra forma. Julgo que podemos sempre ou quase sempre melhorar o nosso trabalho e desempenho.

    Acredito que o que aprendi foi muito mais do que saber planear e executar um projecto de intervenção, e mesmo que essas aprendizagens por agora pareçam “silenciosas” a verdade é que são estas que mais tarde farão a diferença. As verdadeiras aprendizagens são aquelas que se prolongam num momento futuro e não só no presente, são aqueles que dão sentido à nossa vida e nos marcam profundamente.

    Senti que a própria Unidade Curricular fez de mim uma aluna mais responsável, empenhada e persistente. Proporcionou-me competências que influenciaram o meu desempenho nas restantes disciplinas mas também competências a serem utilizadas num momento mais longínquo, nomeadamente ao nível do Mestrado e da inserção no mercado de trabalho.

    Devo confessar que elaborar portefólios nunca foi algo que me entusiasmasse, aliás sempre meu deu algumas “dores de cabeça” (saudáveis, claro). No entanto, não posso deixar de dizer que aquilo que me propiciou superou as minhas expectativas. Construir um portefólio não é uma tarefa simplista, antes pelo contrário. O maior desafio reside, justamente, na reflexividade que depositamos e este exercício requer um esforço acrescentado da nossa parte. Sem dúvida alguma que mais facilmente somos descritivos do que reflexivos, mas terá o trabalho o mesmo impacto? Acredito que não, por isso este semestre comprometi-me a desenvolver este lado crítico. Por outro lado, percebi que tal como a memória também a reflexividade se aprende com a prática, ou seja, quanto mais praticarmos e apostarmos neste exercício melhor serão os resultados.

    Falando especificamente do projecto de intervenção, fez sentido que este nos fosse solicitado apenas no último ano do curso, uma vez que exige alguma maturidade e alguns conhecimentos que não detínhamos no primeiro ou até mesmo no segundo ano do curso. O principal objectivo dos Seminários é permitir que os alunos tenham um contacto com a realidade, com o mundo do trabalho. Mas, para tal, também é preciso ter algumas bases teóricas sustentadas, bases essas que vão sendo aprofundadas ao longo do tempo.

    No semestre passado referi que a disciplina me estava a permitir trabalhar um pouco mais o meu sentido crítico e a verdade é que este semestre essa competência foi reforçada. Já a escritora Chimamanda Adichie dizia que a “história única” está repleta de perigos e não poderia estar mais de acordo. É importante questionarmos e sermos críticos quanto ao que ouvimos, dizemos e fazemos, pois só assim nos destacaremos e só assim evoluiremos. É possível fazer melhor mas também é preciso acreditar que somos capazes. Ao longo do curso e, especialmente, ao longo desta Unidade Curricular deparei-me com determinados obstáculos, que foram sendo superados com a adopção de uma postura optimista. Com isto quero dizer que ganhei capacidade de resiliência, uma competência que acredito ser fundamental no mundo do trabalho.

    Para terminar, gostaria de dizer que, mesmo que os resultados não reflictam dessa forma, o balanço não poderia ser mais positivo. A aluna que era há sensivelmente nove meses atrás é uma aluna mais completa nos dias de hoje: responsável pelo seu processo de aprendizagem, crítica, desperta para a mudança, interventiva e estimulada a fazer mais e melhor, a fazer diferente.